Nasci em Ilha Solteira, interior de São Paulo, em 1974. Sou o mais velho de quatro filhos de um engenheiro civil da CESP e uma professora de português e inglês da escola pública. A infância interiorana me deixou um gosto que nunca perdi: o de viver em cidades menores, onde as pessoas têm nome. Na minha cidade, naquele tempo, os pais dos amigos eram todos chamados de tia ou de tio, e as portas das casas podiam ficar abertas, as crianças podiam passar o dia inteiro na rua.

Aos dezoito, após rápida passagem por Bauru, o caipira foi parar na capital. Formei-me em medicina na Santa Casa de São Paulo, onde também me especializei em oftalmologia e me aperfeiçoei em vias lacrimais e plástica ocular. Doze anos ao todo, de 1993 a 2004.

Em 2005, mudei-me para Porto Velho. Por vinte anos, trabalhei nos serviços de referência do SUS em Rondônia: Hospital de Base Ary Pinheiro e Policlínica Oswaldo Cruz, com passagens pelo pronto-socorro João Paulo II, pelo CEMETRON e também pelo Hospital Santa Marcelina. No mesmo período, integrei o corpo clínico do Hospital de Olhos CEOF e a UNIMED Porto Velho, e fui preceptor voluntário do curso de medicina da UNIR e de uma residência médica em oftalmologia. Entre o consultório e o hospital público, pude aprender o que nenhum curso ensina.

Ao longo desses vinte anos, vi a medicina mudar: na tecnologia para muito melhor, mas não me tranquiliza o modo como se formam os médicos e se organiza a profissão. Convivi com estudantes e residentes como preceptor, e algumas perguntas que já tinha desde os tempos de estudante foram ficando maiores do que a rotina permitia responder. Foi essa inquietação que me levou de volta a estudar: tornei-me Mestre em Ensino em Ciências da Saúde pela UNIR em 2014, graduei-me em Ciência da Computação em 2022 e sigo estudando a interseção entre inteligência artificial e saúde. Na cirurgia, mantive-me onde sempre estive: refrativa a laser, plástica ocular e vias lacrimais, em atualização contínua.

Desde 2025, atendo em três frentes: Porto Velho, o interior de Rondônia e São Paulo, onde a família vive hoje. Parte do que aprendi e ainda aprendo – bem como do que me inquieta – está virando um livro, onde procuro conversar com meus futuros colegas de profissão. Em breve, ele terá casa própria.

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